{"id":1446,"date":"2026-01-25T13:25:54","date_gmt":"2026-01-25T13:25:54","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdomariocarvalho.top\/?p=1446"},"modified":"2026-01-25T13:25:54","modified_gmt":"2026-01-25T13:25:54","slug":"demorou-apos-7-anos-tragedia-de-brumadinho-sera-examinada-na-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdomariocarvalho.top\/?p=1446","title":{"rendered":"Demorou: Ap\u00f3s 7 anos, trag\u00e9dia de Brumadinho ser\u00e1 examinada na Justi\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p>Era uma sexta-feira, Nayara Porto, ent\u00e3o com 27 anos, preparava um pudim para o fim de semana, sobremesa preferida do marido Everton Lopes Ferreira, de 32 anos. Ap\u00f3s colocar o doce no forno, escutou a vizinha conversando com uma tia sobre a \u201cbarragem da Vale\u201d que havia rompido, rememora em refer\u00eancia \u00e0 barragem de rejeitos da Mina C\u00f3rrego do Feij\u00e3o, em Brumadinho, na regi\u00e3o metropolitana de Belo Horizonte (MG)<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1675910&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1675910&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu fiquei um pouco sem entender. Depois ela me chamou e perguntou se meu marido estava em casa. Eu falei que n\u00e3o estava, estava trabalhando, a\u00ed ela foi e me contou o que tinha acontecido\u201d, lembra Nayara em entrevista \u00e0 jornalista Mara R\u00e9gia no programa&nbsp;<em>Natureza Viva<\/em>, da&nbsp;<strong>R\u00e1dio Nacional<\/strong>, emissora da<strong>&nbsp;Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o&nbsp;(EBC)<\/strong>. \u201cA\u00ed foi um desespero total\u201d, recorda Nayara.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cComecei a tentar falar com ele v\u00e1rias vezes, mas o telefone nem chamava mais. [Depois] fui tentando falar com alguns amigos dele que eu sabia que estavam l\u00e1, at\u00e9 que consegui falar com um que correu da lama [de rejeitos], que se salvou por um milagre de Deus. Ele falou comigo assim: \u2018oh Nayara, ora, pede a Deus.\u2019 O armaz\u00e9m que era onde meu marido trabalhava, que era o almoxarifado, foi embora, n\u00e3o havia mais nada l\u00e1.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">2.557 dias<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>O acidente ou \u201ctrag\u00e9dia-crime\u201d, como classifica a Associa\u00e7\u00e3o dos Familiares de V\u00edtimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem da Mina C\u00f3rrego do Feij\u00e3o (AVABRUM), ocorreu por volta de 12h30 do dia 25 de janeiro de 2019. Duzentas e setenta e duas pessoas foram mortas. Passados 2.557 dias neste domingo, ningu\u00e9m foi responsabilizado criminalmente pelo ocorrido.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sete anos inteiros do epis\u00f3dio, abre-se possibilidade de que 15 pessoas respondam pelo acidente na Justi\u00e7a. Dia 23 de fevereiro come\u00e7am as audi\u00eancias de instru\u00e7\u00e3o na 2\u00aa Vara Federal Criminal da Subse\u00e7\u00e3o Judici\u00e1ria de Belo Horizonte. At\u00e9 maio de 2027, v\u00edtimas n\u00e3o letais, testemunhas e r\u00e9us ser\u00e3o ouvidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final do extenso prazo de audi\u00eancias, a ju\u00edza federal Raquel Vasconcelos Alves de Lima poder\u00e1 decidir levar o caso para julgamento em j\u00fari popular. Quinze pessoas poder\u00e3o ser responsabilizadas criminalmente. Onze s\u00e3o ex-diretores, gerentes e engenheiros da Vale, privatizada em 1997, e quatro s\u00e3o empregados da T\u00dcV S\u00dcD, empresa multinacional de capital alem\u00e3o, contratada para monitorar e atestar a qualidade da barragem que rompeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a jornalista Cristina Serra, autora do livro<em>&nbsp;Trag\u00e9dia em Mariana: A hist\u00f3ria do maior desastre ambiental do Brasil<\/em>&nbsp;(editora Record), \u00e9 poss\u00edvel associar o caso de&nbsp; Brumadinho com outros epis\u00f3dios de graves acidentes e consequ\u00eancias ambientais. Entre eles o rompimento da barragem de Mariana (MG) em novembro de 2015 controlada pela Samarco Minera\u00e7\u00e3o S.A. (da Vale S.A. e BHP Billiton); e o afundamento do solo em Macei\u00f3 (AL), desde fevereiro de 2018, por causa da explora\u00e7\u00e3o de minas de sal-gema pela mineradora brasileira Braskem.&nbsp;<strong>Nos tr\u00eas casos at\u00e9 o momento n\u00e3o h\u00e1 nenhum respons\u00e1vel punido criminalmente.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m entrevistada no programa&nbsp;<em>Natureza Viva<\/em>, Cristina Serra lembra que s\u00e3o tr\u00eas incidentes relacionados a empresas de minera\u00e7\u00e3o e que \u201coperam com muita irresponsabilidade, sem levar em conta aspectos essenciais da seguran\u00e7a.\u201d Para ela, as companhias \u201cn\u00e3o investem tanto na seguran\u00e7a da opera\u00e7\u00e3o, como deveriam, porque querem, claro, sempre aumentar a sua margem de lucro.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A jornalista ainda assinala \u201coutra ponta dessa hist\u00f3ria\u201d que juntas s\u00e3o respons\u00e1veis por esses tipos de desastres: \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos de fiscaliza\u00e7\u00e3o, \u201ctanto os \u00f3rg\u00e3os estaduais quanto em n\u00edvel federal\u201d, n\u00e3o exercem de fato seu papel.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cN\u00e3o v\u00e3o in loco ver o que est\u00e1 acontecendo. Tanto a fiscaliza\u00e7\u00e3o quanto os processos de licenciamento s\u00e3o processos burocr\u00e1ticos que dependem de muita papelada. Documentos que as empresas mandam e que os \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o simplesmente aceitam como se aquela informa\u00e7\u00e3o estivesse correta.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Cristina Serra apresenta na&nbsp;<strong>TV Brasil<\/strong>, junto com os jornalistas Jamil Chade e Yan Boechat, o programa&nbsp;<em>Brasil no Mundo<\/em>. No ar aos domingos, \u00e0s 19h30.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Outro lado<\/h2>\n\n\n\n<p>Procurada pela<strong>&nbsp;Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, a Vale diz que n\u00e3o comenta a&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/meio-ambiente\/noticia\/2025-10\/justica-marca-audiencias-do-processo-criminal-de-brumadinho\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a\u00e7\u00e3o<\/a>&nbsp;contra a empresa que est\u00e1 em tramita\u00e7\u00e3o judicial, mas enumerou as a\u00e7\u00f5es de repara\u00e7\u00e3o que est\u00e3o sendo feitas na regi\u00e3o. A empresa destaca que &#8220;avan\u00e7a na repara\u00e7\u00e3o dos impactos do rompimento em Brumadinho, com a execu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, at\u00e9 dezembro de 2025, de 81% do Acordo Judicial de Repara\u00e7\u00e3o Integral e com investimentos que v\u00e3o al\u00e9m das indeniza\u00e7\u00f5es&#8221;. As a\u00e7\u00f5es incluem a recupera\u00e7\u00e3o socioambiental, a garantia de abastecimento h\u00eddrico e iniciativas para diversifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da regi\u00e3o. A empresa diz ainda que, paralelamente, investe&nbsp;na seguran\u00e7a de suas barragens. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a Samarco, respons\u00e1vel pela barragem que se rompeu em Mariana, em 2015, respondeu em nota que reafirma sua solidariedade \u00e0s pessoas, comunidades e territ\u00f3rios&nbsp;impactados. Com a assinatura do Novo Acordo do Rio Doce, em 2024, a Samarco passou a assumir diretamente a responsabilidade pela condu\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es de repara\u00e7\u00e3o e compensa\u00e7\u00e3o. A empresa afirma que segue cumprindo integralmente o Acordo e mant\u00e9m o compromisso com a repara\u00e7\u00e3o definitiva.<br><br>Segundo a Samarco, ao longo desse per\u00edodo, &#8220;milhares de pessoas foram indenizadas, novos distritos constru\u00eddos e entregues \u00e0s comunidades, e a\u00e7\u00f5es relevantes de recupera\u00e7\u00e3o ambiental continuam sendo executadas nos estados de Minas Gerais e do Esp\u00edrito Santo&#8221;, diz a nota.&nbsp;<br><br>A T\u00dcV S\u00dcD,&nbsp;<em>holding<\/em>&nbsp;alem\u00e3 cuja filial no Brasil foi&nbsp;contratada para avaliar a barragem, diz em nota que o rompimento da barragem em Brumadinho &#8220;foi uma grande trag\u00e9dia e manifestamos nossa solidariedade \u00e0s v\u00edtimas e seus familiares&#8221;. Contudo, a T\u00dcV S\u00dcD declara ainda que n\u00e3o tem responsabilidade legal pelo rompimento da barragem.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a companhia, que a emiss\u00e3o das declara\u00e7\u00f5es de estabilidade&nbsp;foi leg\u00edtima e em conformidade com a legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel e padr\u00f5es t\u00e9cnicos e&nbsp;a&nbsp;barragem estava est\u00e1vel no momento das declara\u00e7\u00f5es de estabilidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mem\u00f3ria&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Neste domingo, \u00e0s 11h, a Avabrum promove ato dedicado \u00e0 mem\u00f3ria das 272 pessoas mortas pela trag\u00e9dia da barragem de rejeitos da Mina C\u00f3rrego do Feij\u00e3o. O evento ser\u00e1 no Letreiro de Brumadinho, na entrada da cidade (rodovia MG 40, cerca de 100 metros do radar da entrada).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>Com informa\u00e7\u00f5es da Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era uma sexta-feira, Nayara Porto, ent\u00e3o com 27 anos, preparava um pudim para o fim de semana, sobremesa preferida do marido Everton Lopes Ferreira, de 32 anos. 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