Categoria: Últimas notícias

  • Cem turistas brasileiros deixaram a Venezuela após ataque dos EUA

    Cem turistas brasileiros deixaram a Venezuela após ataque dos EUA

    O governo brasileiro informou, neste sábado (3), que 100 brasileiros que faziam turismo na Venezuela cruzaram a fronteira com o Brasil, em Roraima, após os ataques dos Estados Unidos (EUA) contra o país sul-americano.

    O Itamaraty segue acompanhando a situação da comunidade brasileira na Venezuela, informou a ministra interina do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Maria Laura da Rocha.

    “Nossa embaixada em Caracas segue acompanhando com atenção não apenas o desenrolado dos acontecimentos, mas também a situação da comunidade brasileira naquele país. Não havendo qualquer relato de vítimas ou feridas na comunidade brasileira”, disse a ministra interina.

    A embaixadora Maria Laura substitui o ministro Mauro Vieira, que estava de férias, mas interrompeu o descanso e viajou de volta a Brasília ainda neste sábado para acompanhar os acontecimentos envolvendo o país vizinho.

    A embaixadora Maria Laura falou com a imprensa no Itamaraty, após a segunda reunião emergencial do dia sobre a invasão da Venezuela pelos EUA.

    O encontro foi coordenado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contou com a participação também dos ministros da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandoviski, da Secretaria de Comunicação do Planalto, Sidônio Palmeira, e da Defesa, José Múcio.

    Também participaram da reunião a ministra interina da Casa Civil, Miriam Belchior, a embaixadora do Brasil em Caracas, Glivânia Maria de Oliveira, além de representantes da secretaria de Relações Institucionais.

    O ministro da Defesa, José Múcio, reforçou que a fronteira segue aberta e tranquila, sugerindo aos brasileiros que queiram deixar o país que procurem as representações diplomáticas.

    “Da maneira que está tudo calmo, as fronteiras estão abertas, não há nenhuma restrição. O brasileiro que estiver lá pode vir, procure o seu embaixador, o embaixador ajudou, a vice-cônsul brasileira lá também tem ajudado bastante, de maneira que nós estamos só de plantão para ver se surgem novos acontecimentos”, disse Múcio.

    Chefe de Estado

    Questionados sobre quem o Brasil reconhece como chefe de Estado na Venezuela, Maria Laura disse que é a vice-presidente Delcy Rodríguez. “Na ausência do atual presidente, Maduro, é a vice-presidente. Ela está como presidente interina”, afirmou.

    A ministra interina do MRE disse ainda que o Brasil participa da reunião ministerial da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), marcada para este domingo (4), e do Conselho de Segurança da ONU, marcado para próxima segunda-feira (5). Em ambos os encontros, será discutida a agressão dos EUA contra a Venezuela.

    “O Brasil continua sendo a favor do direito internacional, que é a posição tradicional brasileira contra qualquer tipo de invasão territorial, é pela soberania dos países”, afirmou Maria Laura.

    Em comunicado publicado mais cedo, o presidente Lula condenou o ataque argumentando que foi uma violação do direito internacional.

    Entenda

    A agressão dos EUA contra a Venezuela marca um novo episódio de intervenções diretas de Washington na América Latina. A última vez que os EUA invadiram um país latino-americano foi em 1989, no Panamá, quando os militares norte-americanos sequestraram o então presidente Manuel Noriega acusando-o de narcotráfico.

    Assim como fizeram com Noriega, os EUA acusam, sem apresentar provas, Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano De Los Soles. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência desse cartel.

    O governo dos EUA estava oferecendo uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem a prisão de Maduro.

    Para críticos, a ação é uma medida geopolítica para afastar a Venezuela de adversários globais dos EUA, como China e Rússia, além de exercer maior controle sobre o petróleo do país, dono das maiores reservas de óleo comprovadas do planeta.

    Com informações da Agência Brasil

  • Vice-presidente da Venezuela diz que país não será colônia dos EUA

    Vice-presidente da Venezuela diz que país não será colônia dos EUA

    A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, fez um pronunciamento, neste sábado (3), pedindo a liberdade imediata do presidente Nicolás Maduro, capturado por militares dos Estados Unidos após bombardeios contra o país.

    Rodríguez disse que a Venezuela não voltará a ser colônia e vai resistir contra a investida do governo norte-americano. Segundo ela, o único presidente legítimo é Nicolás Maduro.

    “Exigimos a libertação imediata do presidente Nicolás Maduro, o único presidente da Venezuela, e de sua esposa, Cilia Flores. Se há algo que o povo venezuelano e este país têm absolutamente certeza, é que jamais seremos escravos, jamais seremos colônia de qualquer império”, disse Delcy em cadeia nacional de rádio e TV.

    A fala de Delcy ocorreu minutos após o fim da coletiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual ele afirmou que Washington governaria o país sul-americano até uma “transição segura”, admitindo que as empresas norte-americanas explorariam o petróleo da Venezuela. 

    A vice-presidente do país participou do Conselho de Defesa da Nação, com a presença do ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e a presidente do Tribunal Superior de Justiça (TSJ), Caryslia Rodríguez, entre outras autoridades.

    Delcy afirmou que Maduro foi “sequestrado” por volta de 1h58 da madrugada deste sábado e reforçou a posição do governo de que a ação é uma tentativa dos EUA de terem controle sobre os recursos naturais do país caribenho “sob falsos pretextos”.

    A vice-presidente acrescentou que ativou, por decreto assinado por Maduro, todos os órgãos do Estado venezuelano para proteção do território contra a invasão dos Estados Unidos.

    “Todo o poder nacional da Venezuela foi acionado. Temos o dever sagrado de salvaguardar nossa independência nacional, nossa soberania e nossa integridade territorial, que foram brutalmente atacadas nas primeiras horas desta manhã”, disse a mandatária.

    Delcy convocou todos os poderes e organizações venezuelanas a manter a calma para “afrontar, juntos, em perfeita união nacional. Que essa fusão policial-militar-popular se converta em um só corpo e saiamos nessa etapa maravilhosa de defesa da nossa soberania, da nossa independência nacional”.

    A vice-presidente agradeceu as manifestações de solidariedade de países ao redor do mundo e destacou que hoje foi a Venezuela, mas amanhã pode ser qualquer outra nação.

    “O que fizeram com a Venezuela hoje podem fazer com qualquer um. Esse uso brutal da força para quebrar a vontade do povo pode ser feito com qualquer país”, comentou.

    Entenda

    O ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela marca um novo episódio de intervenções diretas de Washington na América Latina. A última vez que os Estados Unidos invadiram um país latino-americano foi em 1989, no Panamá, quando os militares norte-americanos sequestraram o então presidente Manuel Noriega, acusando-o de narcotráfico.

    Assim como fizeram com Noriega, os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano De Los Soles, sem apresentar provas. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência desse cartel.

    O governo de Donald Trump estava oferecendo uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem a prisão de Maduro.

    Para críticos, a ação é uma medida geopolítica para afastar a Venezuela de adversários globais dos Estados Unidos, como China e Rússia, além de exercer maior controle sobre o petróleo do país, que é dono das maiores reservas de óleo comprovadas do planeta.

  • Suprema Corte da Venezuela ordena que Delcy Rodríguez assuma presidência

    Suprema Corte da Venezuela ordena que Delcy Rodríguez assuma presidência

    A Câmara Constitucional da Suprema Corte da Venezuela ordenou neste sábado (3) que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma o cargo de presidente interina do país na ausência de Nicolás Maduro, que foi detido na madrugada deste sábado em uma operação das forças americanas.

    A decisão judicial determinou que Rodríguez assumiria “o cargo de Presidente da República Bolivariana da Venezuela, a fim de garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da Nação”.

    A decisão acrescentou que o tribunal irá debater a questão a fim de “determinar o quadro jurídico aplicável para garantir a continuidade do Estado, a administração do governo e a defesa da soberania face à ausência forçada do Presidente da República”.

    Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar do que o governo americano irá governar a Venezuela após a captura de Maduro neste sábado (3), Rodríguez que Nicolás Maduro é o único presidente do país.

    Em discurso na televisão estatal de Caracas, ela pediu calma e união para defender o país em meio ao “sequestro” de Maduro e afirmou que a Venezuela jamais será colônia de qualquer nação.

    Com informações da CNN Brasil

  • América Latina está à mercê da intervenção dos EUA, dizem analistas

    América Latina está à mercê da intervenção dos EUA, dizem analistas

    A invasão militar na Venezuela pelos Estados Unidos e o rapto do presidente Nicolás Maduro representam um risco para todos os países da América Latina. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil apontam que a ação do presidente Donald Trump viola todas as normas internacionais e a Carta das Nações Unidas, configurando um ataque a um país soberano e ignorando o direito à autodeterminação dos povos.

    “O princípio do respeito à soberania dos Estados já foi desrespeitado, o que significa que todos os Estados da nossa região estão à mercê da intervenção dos Estados Unidos, de acordo com o humor do presidente dos Estados Unidos, com os interesses das empresas norte-americanas. Todo o nosso subcontinente está, portanto, entregue à vontade, ao arbítrio do senhor Donald Trump”, disse Williams Gonçalves, professor titular aposentado de relações internacionais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

    Ele considera ainda lamentável e inadmissível que essa ação seja aceita por Estados, como é o caso do presidente da Argentina, Javier Milei, e até por agrupamentos políticos dentro dos países. “É uma verdadeira traição a toda a luta que o povo argentino travou para defender a sua independência, para defender a sua autonomia. O mesmo nós podemos dizer a respeito dos grupos políticos dentro do Brasil que saúdam, que festejam uma coisa dessas”, disse.

    Gonçalves, que é também pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre Estados Unidos (INCT-INEU), explica que saudar a intervenção na Venezuela é um verdadeiro convite a que Donald Trump, arbitrariamente, decida quando e por que invadirá o Brasil ou os países vizinhos. Ele acrescenta que Trump utiliza uma retórica típica do imperialismo e colonialismo do século 19.

    “Todos os chefes de Estado deveriam estar unidos e recorrendo a todos os instrumentos jurídicos e políticos, para condenar com a maior veemência possível essa intervenção. Nossos militares deveriam estar se pronunciando, afirmando que, no Brasil, não se tolerará uma intervenção como essa”, lamentou o especialista.

    Professor de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Antonio Jorge Ramalho da Rocha afirma que o compromisso de Donald Trump com o direito internacional é nenhum.

    “Ele não entende as relações internacionais pautadas por normas, ele entende as relações internacionais pautadas pela força e pelo interesse de curto prazo, pela motivação imediata. Isso torna o mundo muito mais imprevisível, muito mais perigoso”, analisou Rocha.

    Para o professor, a intervenção estabelece a possibilidade de uma invasão dos Estados Unidos para interferir em qualquer governo soberano da região. “Se está acontecendo agora com a Venezuela, não nos iludamos, poderá acontecer amanhã com a Colômbia, com o Brasil, com o Peru, ou com qualquer outro país”, disse.

    Outra implicação é o incentivo ao fortalecimento das divisões internas das sociedades. “Ao tentar criar a polarização internamente, os Estados Unidos encontram um pouco mais de espaço para prevalecer seus interesses de curto prazo, que não terão nenhuma coincidência com os interesses das sociedades em questão dos governos que ali estão constituídos.”

    “Há claramente uma sinalização também de preferências por governos específicos e de interferências nos processos eleitorais que estão em curso ainda na região, Colômbia e Brasil claramente como os principais alvos”, mencionou Rocha. Ele avalia que é preciso defender o multilateralismo e uma atuação mais decisiva das Nações Unidas, apesar de a instituição estar “completamente desaparelhada”.

    As consequências desse ataque para a América Latina são graves, afirma Rocha, e não apenas imediatas, mas de longo prazo. “A Colômbia já mobilizou tropas, o Brasil deverá fazer a mesma coisa, colocar tropas na fronteira. Se os Estados Unidos decidirem ocupar militarmente a Venezuela, nós teremos um pesadelo, nós teremos aqui um governo segundo o Vietnã.”

    Na análise do professor, a Venezuela está muito dividida e o governo nunca foi popular. “É um governo péssimo que destruiu um país, tentou implantar um sistema muito mais pela propaganda socialista do que pela realidade”, disse. No entanto, afirmou que a Venezuela é um país soberano e que a invasão e retirada do presidente de seu território configuram uma violação das normas internacionais.

    Com informações da Agência Brasil

  • Maduro será julgado pelos Estados Unidos, diz procuradora

    Maduro será julgado pelos Estados Unidos, diz procuradora

    O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, serão julgados em tribunais de justiça dos Estados Unidos, segundo informações divulgadas pela procuradora-geral estadunidense, Pamela Bondi, neste sábado (3). Eles foram sequestrados durante ação militar, confirmada pelo presidente dos EUA, Donald Trump (foto).

    Segundo Bondi, ambos foram indiciados no Distrito Sul de Nova York. Maduro foi acusado de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos contra os Estados Unidos.

    “Eles em breve enfrentarão toda a força da justiça americana em solo americano, em tribunais americanos”, escreveu Bondi no X (antigo Twitter).

    A procuradora-geral não detalhou as acusações contra Cilia Flores.

    Coragem

    “Em nome de todo o Departamento de Justiça dos EUA, gostaria de agradecer ao presidente Trump por ter a coragem de exigir responsabilização em nome do povo americano, e um enorme agradecimento às nossas bravas Forças Armadas que conduziram a incrível e bem-sucedida missão de captura desses dois supostos narcotraficantes internacionais”, finalizou Bondi.

    O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, rejeitou a presença de tropas estrangeiras no país e classificou o ataque de “vil e covarde”. Padrino pediu ajuda internacional. Bombardeios dos Estados Unidos a barcos nas águas do Caribe ocorreram nos últimos meses. 

    Com informações da Agência Brasil

  • Maduro desembarca em Nova York escoltado por agentes federais

    Maduro desembarca em Nova York escoltado por agentes federais

    Imagens transmitidas em canais de televisão mostraram o desembarque do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no Aeroporto Internacional de Stewart, no Vale do Hudson, a cerca 95 quilômetros da cidade de Nova York, nos Estados Unidos (EUA).

    A aeronave que levou o líder latino-americano e sua esposa, Cília Flores, pousou por volta das 18h30 (horário de Brasília) deste sábado (3), mais de 16 horas após a captura do casal, em Caracas, por forças especiais norte-americanas em uma invasão militar sem precedentes do território venezuelano.

    No desembarque, Maduro aparecia cercado por dezenas de agentes federais do FBI e da DEA, a agência de combate às drogas do país norte-americano.  Vestindo moletom e usando capuz, ele parecia ter algemas nos pés e nas mãos, e tinha dificuldade de descer as escadas da aeronave e caminhar pela pista até um hangar do aeroporto. 

    Segundo a imprensa dos EUA, Maduro e a esposa, que serão processados por tráfico internacional de drogas, acusação ainda sem apresentação pública de provas por parte do governo norte-americano, serão agora deslocados de helicóptero até Manhattan, na sede da DEA. De lá, encaminhados a presídios, onde responderão detidos às imputações.

    Mais cedo, em coletiva de imprensa, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, em sua primeira manifestação oficial após a invasão militar na Venezuela e captura de Maduro, que o próprio governo estadunidense vai administrar o país latino-americano, a partir de agora, até que se possa fazer uma transição de poder.

    A operação militar envolveu cerca de 150 aeronaves e foi planejada por meses, disseram as autoridades norte-americanas.

    Trump não soube precisar por quanto tempo precisará controlar diretamente o país sul-americano, que possui uma fronteira de mais de 2 mil quilômetros (km) com o Brasil. Apesar disso, ele indicou um possível diálogo com a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, do grupo político do agora presidente deposto e raptado, Nicolás Maduro, sobre um eventual governo interino do país. Ela, porém, rechaçou qualquer subordinação ao governo dos EUA, em sua primeira manifestação

    Com informações da Agência Brasil

  • Inscrições para o Sisu 2026 começam em 19 de janeiro

    Inscrições para o Sisu 2026 começam em 19 de janeiro

    As inscrições para a edição do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2026 começarão no dia 19 de janeiro e poderão ser feitas exclusivamente pela internet, até o dia 23 de janeiro. A edição será a maior em número de instituições participantes, com 136 universidades, institutos federais e centros federais de educação tecnológica, que ofertarão 274,8 mil vagas em 7.388 cursos.

    A inscrição é gratuita e pode ser feita exclusivamente pelo Portal de Acesso Único ao Ensino Superior. Os candidatos poderão se inscrever em até duas opções de vagas.

    O candidato poderá concorrer às modalidades de reserva de vagas da Lei de Cotas e às ações afirmativas próprias das instituições. Para isso, precisa preencher o cadastro socioeconômico e indicar as modalidades de reserva de vagas que deseja concorrer.

    De acordo com o edital publicado pelo Ministério da Educação (MEC), o processo seletivo terá somente uma etapa de inscrição para as vagas ofertadas. O resultado da chamada regular será divulgado no dia 29 de janeiro de 2026, e a matrícula junto às instituições começa a partir de 2 de fevereiro de 2026.

  • Ataque de Trump à Venezuela é ilegal e imprudente, diz New York Times

    Ataque de Trump à Venezuela é ilegal e imprudente, diz New York Times

    Um dos principais jornais dos Estados Unidos (EUA) – o New York Times (NYT) – publicou neste sábado (3) um editorial criticando as ações do governo de Donald Trump e chamando de ilegal o ataque à Venezuela. Para o jornal, o país sul-americano foi o primeiro alvo da nova doutrina de segurança da Casa Branca para América Latina.

    “Aparentemente, a Venezuela tornou-se o primeiro país sujeito a esse imperialismo moderno, o que representa uma abordagem perigosa e ilegal para o papel dos EUA no mundo”, diz o texto assinado pelo Conselho Editorial do jornal nova iorquino.

    O imperialismo é o conceito usado quando “um país central se vale de seu maior poderio econômico, político e militar para subordinar países periféricos de acordo com seus próprios interesses”, explicou o sociólogo Raphael Seabra, professor da Universidade de Brasília (UnB).

    Em coletiva neste sábado, Trump disse que vai governar a Venezuela até uma “transição segura” de governo, além de admitir que as petroleiras dos EUA vão explorar os recursos energéticos da Venezuela, que é a nação com a maior reserva de petróleo comprovada do planeta. 

    O NYT rejeitou o argumento do presidente norte-americano de que Maduro seria líder de um cartel de drogas. “A alegação é particularmente ridícula neste caso, visto que a Venezuela não é uma produtora significativa de fentanil ou das outras drogas”, disse o periódico.

    O jornal acrescentou que, ao mesmo tempo em que atacava barcos venezuelanos, Trump concedia indulto a Juan Orlando Hernández, “que comandava uma vasta operação de narcotráfico quando era presidente de Honduras, de 2014 a 2022”. O indulto a Hernández ocorreu no contexto das eleições hondurenhas, em que Trump apoiou o candidato do partido do ex-presidente condenado. 

    “Seu governo justificou os ataques às pequenas embarcações alegando que elas representam uma ameaça imediata aos Estados Unidos. Mas uma ampla gama de especialistas jurídicos e militares rejeita essa alegação”, completou o jornal. 

    Dominar a América Latina

    Ainda segundo o New York Times, a explicação mais plausível para ação de Trump na Venezuela pode ser encontrada na Estratégia de Segurança Nacional recentemente divulgada pela Casa Branca. “Nela, o governo reivindica o direito de dominar a América Latina”, diz o texto.

    No início de dezembro, o governo Trump publicou as diretrizes da política externa da Casa Branca reafirmando a “proeminência” dos EUA na América Latina, o que foi lido como um recado à China. 

    Legitimidade internacional

    O editorial do NYT afirma ainda que a ação de Trump, “sem qualquer aparência de legitimidade internacional”, corre o risco de fornecer justificativa para outros governos, como China e Rússia, dominarem “seus próprios vizinhos”.

    O jornal nova iorquino avalia que Trump está empurrando os EUA para uma crise internacional e lembrou que o presidente precisaria pedir autorização ao Congresso para essa ação. “Sem a aprovação do Congresso, suas ações violam a lei dos EUA”, disse o NYT.

    Em entrevista neste sábado, Trump argumentou que não precisaria de autorização do Congresso porque a ação resultou “apenas” na prisão de duas pessoas, não foi uma invasão “tradicional”.

    “Se há uma lição fundamental a ser aprendida com a política externa americana no último século, é que tentar derrubar até mesmo o regime mais deplorável pode piorar ainda mais a situação”, argumentou o jornal estadunidense.

    O NYT lembrou que o país passou 20 anos sem conseguir estabelecer um governo estável no Afeganistão e que, ao derrubar o governo de Muamar Kadafi, na Líbia, criou um Estado fragmentado no norte da África.

    “As trágicas consequências da guerra de 2003 no Iraque continuam a afetar os Estados Unidos e o Oriente Médio. Ele ameaça replicar a arrogância americana que levou à invasão do Iraque em 2003”, completou o editorial.

    Ainda segundo o jornal, é grande o potencial para o caos na Venezuela.

    “Apesar da captura de Maduro, os generais que apoiaram seu regime não desaparecerão repentinamente. Tememos que o resultado do aventureirismo do Sr. Trump seja o aumento do sofrimento dos venezuelanos, o crescimento da instabilidade regional e danos duradouros aos interesses dos Estados Unidos em todo o mundo”, finaliza o jornal.

    Com informações da Agência Brasil

  • Trump: operação é um aviso a quem ameaçar soberania dos EUA

    Trump: operação é um aviso a quem ameaçar soberania dos EUA

    Em um duro pronunciamento neste sábado (3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a invasão militar na Venezuela é recado claro a nações que tentarem contrariar os interesses norte-americanos. A operação resultou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e um possível controle do país.

    “Outros presidentes podem ter faltado coragem ou algo assim para defender a América. Mas eu nunca permitirei que terroristas e criminosos atuem impunemente contra os Estados Unidos. Esta operação extremamente bem-sucedida deve servir como um aviso a qualquer um que ameace a soberania americana ou coloque vidas americanas em perigo”, disse Trump, logo depois de anunciar que os EUA passariam a tomar controle total da Venezuela até que se possa fazer uma transição segura de poder.

    “Construímos a indústria petrolífera da Venezuela com talento, iniciativa e habilidade americanos. E o regime socialista roubou isso de nós durante administrações anteriores, roubou pela força. Isso constituiu um dos maiores roubos de propriedade americana na história do nosso país. Uma infraestrutura petrolífera gigantesca foi tomada como se fôssemos bebês, e não fizemos nada a respeito. Eu teria feito algo. A América nunca permitirá que potências estrangeiras roubem nosso povo ou nos empurrem para fora do nosso próprio hemisfério. Foi isso que fizeram”, destacou Trump.

    O presidente dos EUA enumerou uma série de acusações contra Maduro, sobretudo relacionadas a suposto envolvimento com narcotráfico e uma suposta apreensão unilateral de petróleo, ativos e plataformas dos EUA. Trump também citou o apoio do venezuelano a outros países que seriam hostis aos EUA, sem citar quais.

    “Sob o agora deposto ditador Maduro, a Venezuela passou a hospedar cada vez mais adversários estrangeiros em nossa região e a adquirir armas ofensivas ameaçadoras que poderiam colocar em risco interesses e vidas dos Estados Unidos. E eles usaram essas armas ontem à noite. Usaram essas armas ontem à noite, potencialmente em conluio com os cartéis que operam ao longo da nossa fronteira”, prosseguiu.

    Operação mantida

    Trump garantiu também que as forças armadas do país permanecerão posicionadas, com os EUA mantendo todas a opções militares até que as exigências sejam “totalmente atendidas e plenamente satisfeitas”.

    “Todas as figuras políticas e militares da Venezuela – como vocês podem entender – o que aconteceu com Maduro pode acontecer com elas, e acontecerá se não forem justas, sequer, com seu próprio povo. O ditador e terrorista Maduro finalmente se foi da Venezuela. O povo está livre. Livre novamente. Faz muito tempo para eles, mas agora estão livres. A América é uma nação mais segura nesta manhã. É uma nação mais orgulhosa nesta manhã porque não permitiu que essa pessoa horrível e esse país, que estavam fazendo coisas muito ruins contra nós, continuassem”, afirmou, sem especificar exatamente quais serão as exigências americanas sobre o país a partir de agora.

    Captura de Maduro

    Pouco antes de iniciar a declaração à imprensa, Trump publicou uma suposta foto de Nicolás Maduro em que o venezuelano aparece com os olhos cobertos por óculos escuros. A foto foi postada por Trump em sua rede Truth Social, com a descrição de que Maduro estaria a bordo do USS Iwo Jima, em referência ao navio militar norte-americano para o qual teria sido transferido.

    “O ditador ilegítimo Maduro era o chefe de uma vasta rede criminosa responsável por traficar quantidades colossais de drogas mortais e ilícitas para os Estados Unidos. Conforme alegado na denúncia, ele supervisionava pessoalmente o cartel brutal conhecido como Cartel de los Soles, que inundou nosso país com veneno letal, responsável pela morte de incontáveis americanos, muitos, muitos americanos, centenas e milhares de americanos morreram ao longo dos anos por causa dele”, enfatizou.

    Segundo Trump, Maduro e sua esposa, Cilia Flores, vão enfrentar “todo o peso da Justiça americana e serão julgados em solo americano”. Neste momento, de acordo com o norte-americano, eles estariam a caminho de Nova York, onde deverão ser processados e julgados.

    Com informações da Agência Brasil

  • Trump publica suposta foto de Maduro em navio após captura

    Trump publica suposta foto de Maduro em navio após captura

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou neste sábado (3) em uma rede social uma suposta foto do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em um navio norte-americano, após ter sido capturado e retirado do país.

    Na imagem, Maduro aparece com óculos escuros e usando um conjunto de moletom cinza. Ele segura uma garrafa de água e, aparentemente, está algemado. Trump informou hoje que Maduro e a primeira-dama Cilia Flores estão sendo levados de navio para Nova York.

    Na madrugada deste sábado, o governo dos Estados Unidos anunciou um ataque à Venezuela. A capital, Caracas, e outras cidades foram atingidas por vias aérea e terrestre. 

    Entenda

    A invasão da Venezuela pelos EUA marca um novo episódio de intervenções diretas de Washington na América Latina. A última vez que os EUA invadiram um país latino-americano foi em 1989, no Panamá, quando os militares norte-americanos sequestraram o então presidente Manuel Noriega, acusando-o de narcotráfico.

    Assim como fizeram com Noriega, os EUA acusam Maduro, sem apresentar provas, de liderar um suposto cartel venezuelano De Los Soles. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência desse cartel.

    O governo dos EUA estava oferecendo uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro.

    Para críticos, a ação é uma medida geopolítica para afastar a Venezuela de adversários globais dos EUA, como China e Rússia, além de exercer maior controle sobre o petróleo do país, que é dono das maiores reservas de óleo comprovadas do planeta.

    Com informações da Agência Brasil