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  • Maranhão ocupa 4º lugar entre os estados brasileiros que mais avançaram em infraestrutura, aponta Centro de Liderança Pública (CLP)

    Maranhão ocupa 4º lugar entre os estados brasileiros que mais avançaram em infraestrutura, aponta Centro de Liderança Pública (CLP)

    Ranking de Competitividade dos Estados 2025, publicado pelo CLP, mostra a evolução do estado de 2023 a 2025.

    O Maranhão se destacou entre os estados do Brasil que mais avançou no pilar de Infraestrutura do Ranking de Competitividade dos Estados 2025, publicado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), ocupando o 4ª lugar no ranking nacional e o 3º na Região Nordeste. Este resultado é reflexo das ações que vem sendo desenvolvidas pelo Governo do Estado.

    O resultado apresentado pelo CLP integra a edição mais recente do levantamento, que avalia o desempenho das 27 unidades da federação (UF) com base em indicadores estruturados de políticas públicas e eficiência administrativa.

    O ranking leva em consideração o quanto cada UF evoluiu de 2023 a 2025 comparada a si mesma.

    O pilar Infraestrutura do Ranking de Competitividade dos Estados considera variáveis como acessibilidade do serviço de telecomunicações, qualidade do serviço de telecomunicações, custo de combustíveis, custo de saneamento básico, disponibilidade de voos diretos, acesso à energia elétrica, custo da energia elétrica, qualidade da energia elétrica, qualidade das rodovias e backhaul de fibra óptica.

    No ranking nacional o Maranhão ocupa a 4ª colocação, atrás de Sergipe (1º), Piauí (2º) e Minas Gerais (3º). Quando analisada apenas a Região Nordeste, o Maranhão passa para a 3ª colocação com Sergipe e Piauí mantendo as mesmas posições também a nível regional.

    Qualidade das rodovias
    Somente no que diz respeito à qualidade das rodovias, o Maranhão subiu dois lugares no Ranking de Competitividade dos Estados 2025 em comparação a 2024. Desde 2023, o Governo do Maranhão consolidou um conjunto de ações voltado à ampliação e reestruturação da infraestrutura do estado.

    Entregas como Ponte sobre o Rio Preguiças, Nova Litorânea, Avenida Metropolitana, Estrada da Raposa, entre muitas outras, garantem desenvolvimento e mais qualidade de vida para milhões de maranhenses.

    Todas estas obras possuem em comum o caráter estruturante para os municípios, especialmente no caso da pavimentação de vias urbanas e rodovias estaduais, criando novos caminhos para escoar a produção regional, como as Estradas do Abacaxi (São Domingos do Maranhão), do Jacaré (Penalva), MA-006 (trecho de Tasso Fragoso a Alto Parnaíba), MA-014 (trecho de Palmeirândia a São Bento).

    Tais grandes obras de pavimentação são executadas pela Secretaria de Estado da Infraestrutura (Sinfra) e incluíram uma ampla gama de serviços, indo desde o trabalho de drenagem até a sinalização das vias.

    Segundo o secretário de Estado de Infraestrutura, Aparício Bandeira, o resultado da pesquisa do CLP reflete um trabalho consistente que vem sendo realizado desde o início da gestão do governador Carlos Brandão, com investimentos importantes em infraestrutura em todas as regiões do Maranhão.

    “Nesse período, consolidamos uma série de obras estruturantes voltadas para melhorar a mobilidade, fortalecer a logística e impulsionar o desenvolvimento econômico do estado. Estamos atuando em diversas frentes, tanto na recuperação e manutenção de rodovias já existentes quanto na implantação de novos corredores viários importantes para o escoamento da produção e para a integração regional. Já são mais de 6 mil quilômetros de rodovias estaduais contemplados com obras e serviços. São obras planejadas com base em estudos técnicos e executadas de forma estruturada, pensando no presente e no futuro do Maranhão”, assinalou Aparício Bandeira.

    MA-372

    Dando continuidade a estas ações, no sábado (16), o Governo do Maranhão entregou as obras de recuperação da MA-372, que liga a MA-270, em Mirador, à BR-230, em São Domingos do Azeitão.

    Trata-se da maior obra de pavimentação executada pela atual gestão do Governo do Maranhão. Com extensão de 85 km, a nova rodovia vai fortalecer a mobilidade, melhorar o escoamento da produção e a integração entre os municípios da região sul do estado.

    Voos diretos
    Ainda no que tange a transportes o pilar Infraestrutura, do Ranking de Competitividade dos Estados, considera ainda a existência de voos diretos. Quanto a isto, o Governo do Maranhão, em parceria com companhias aéreas e o Ministério do Turismo, também tem ampliado a malha de voos diretos partindo de São Luís, incluindo rotas inéditas. 

    Entre os exemplos das novas rotas aéreas estão os voos diretos diários para o Rio de Janeiro, por meio de rota implantada pela Gol Linhas Aéreas desde abril.

    Já a empresa aérea TAP Air Portugal anunciou o lançamento da rota Lisboa – São Luís, que passa a operar partir de outubro.

    A secretária de Estado do Turismo, Socorro Araújo, afirmou que o crescimento do fluxo de voos para o Maranhão demonstra o avanço das ações de promoção turística em feiras de turismo nacionais e internacionais que o Governo do Estado realiza nos últimos anos.

    “Estamos intensificando e fortalecendo as ações promocionais do destino Maranhão em eventos bastante estratégicos dentro do segmento do turismo no Brasil e no exterior. Essas ações promocionais têm atraído a confiança do mercado no potencial turístico do nosso estado e, consequentemente, têm contribuído para a ampliação da conectividade aérea e para o fortalecimento do estado como destino competitivo nos cenários nacional e internacional. Esse aumento representa mais visitantes chegando aos nossos polos turísticos, mais oportunidades para o setor produtivo e mais desenvolvimento econômico para os municípios maranhenses”, destacou Socorro Araújo.

    Mais conectividade
    O Maranhão também subiu quatro posições em relação a 2024 no backhaul de fibra óptica. Entre as iniciativas nesta área o Governo do Maranhão, em parceria com o Governo Federal (Ministérios das Comunicações e MCTI) e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), está implementando a Infovia Maranhão.

    O projeto vai expandir a rede de fibra óptica do estado, integrando 20 municípios ao backbone nacional, garantindo internet de alta velocidade para órgãos públicos, escolas e comunidades.

    O Governo do Estado também lançou o Programa Maranhão Mais Conectado, em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), voltado para a expansão da infraestrutura de telecomunicações, e a inclusão digital em todo o território maranhense.

    Saneamento básico

    Saldo positivo também no custo do saneamento básico, onde o estado avançou três posições. Em janeiro deste ano, o Governo do Maranhão autorizou o início das obras de implantação e ampliação do sistema de esgotamento sanitário de São Luís – etapa 1, referentes aos sistemas São Francisco e Vinhais. Com investimentos de mais de R$ 75 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC2).

    De acordo com a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema), com as melhorias a cobertura de redes de coleta de esgoto deve subir de 55% para cerca de 70%. Com relação ao tratamento, a expectativa é que a cobertura alcance cerca de 80% até o fim das entregas.

    O abastecimento de água também avança no Maranhão por meio da implantação de Sistemas Simplificados de Abastecimento de Água (SSAA).

    Somente em 2025, 78 sistemas foram concluídos e 19 sistemas foram revitalizados, levando água potável a áreas urbanas e rurais e reduzindo a vulnerabilidade hídrica de comunidades inteiras.

  • Prefeito desfaz contrato com curso de Medicina do Ceuma após aluno xingar município, no Maranhão

    Prefeito desfaz contrato com curso de Medicina do Ceuma após aluno xingar município, no Maranhão

    Centro Acadêmico da universidade afirmou que a situação, registrada na cidade de Paço do Lumiar, foi encaminhada à coordenação responsável.

    O prefeito de Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luís, Fred Campos (PSB), desfez o contrato que mantinha com o curso de Medicina da Universidade Ceuma após um estudante publicar um vídeo xingando e menosprezando o Município. Na última terça-feira (12), o gestor divulgou a decisão de interromper o estágio com os alunos de medicina da instituição.

    Nas redes sociais, o acadêmico Ryan Carvalho Xavier publicou um vídeo com o áudio que dizia: “Acaba, pelo amor de Deus, acaba pelo amor de Deus”. No vídeo, escreveu: “Meu tênis branquinho da ON vendo que não tá mais em uma prateleira em Zurique e sim indo atender paciente no c# do Maranhão“. 

    O vídeo contou com diversos comentários questionando o amor do estudante pela profissão. “Um vídeo como o exposto deve servir para pensar que tipo de médico a universidade está formando. Só o conhecimento técnico não é suficiente para uma medicina humana”, escreveu uma internauta.

    Após a repercussão da publicação, o prefeito Fred Campos revelou a decisão de cancelar o convênio. “Eu achei tão absurdo esse vídeo atacando o município de Paço, botando palavras de baixíssimo calão. A gente claramente percebe o nível baixo do médico que a gente vai formar”, afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais.

    Com informações do Diário do Nordeste

  • Inep recebe recursos para pedidos de isenções do Enem 2026 até terça-feira, dia 19

    Inep recebe recursos para pedidos de isenções do Enem 2026 até terça-feira, dia 19

    Os candidatos que tiveram negado o pedido de isenção de pagamento da taxa de inscrição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2026 podem entrar com recurso até o dia 19 de maio.

    Também podem recorrer, no mesmo prazo, os estudantes que tiveram a justificativa de ausência no Enem 2025 reprovada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

    O resultado dos pedidos de isenção foram publicados pelo Inep na quarta-feira (13) e estão disponíveis na Página do Participante.

    Nova documentação

    O recurso deve ser apresentado na Página do Participante, com a respectiva documentação que comprove uma das situações definidas pelo MEC para solicitar a isenção do Enem 2026. De acordo com o edital, têm direito ao recurso os candidatos que se enquadram nos seguintes perfis:

    • estar matriculado no 3° ano do ensino médio (neste ano de 2026), em escola pública;
    • ter cursado todo o ensino médio em escola pública ou como bolsista integral na rede privada;
    • estar em situação de vulnerabilidade socioeconômica e integrar família inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico), com renda familiar de até 3 salários mínimos ou renda por pessoa de até meio salário mínimo;
    • ser beneficiário do programa federal Pé-de-Meia, inclusive treineiros do 1º e 2º ano do ensino médio.

    Para contestar a negativa da isenção da taxa de inscrição do Enem 2026, o participante deve apresentar documentos como a declaração de realização do ensino médio em escola pública, histórico escolar, entre outros. A lista completa está disponível no edital. 

    Justificativa de ausência em 2025

    Para entrar com recurso para a justificativa de ausência, o candidato que faltou na edição de 2025 deve enviar nova documentação. A justificava é necessária nos casos em que o candidato foi isento da taxa na edição anterior, mas faltou às provas. Nesse caso, a justificava é necessária para que a gratuidade possa ser concedida em 2026. 

    Confira aqui os documentos aceitos para a justificativa. As declarações devem estar datadas e assinadas. Não serão aceitos documentos autodeclaratórios ou emitidos, por exemplo, por pais ou responsáveis dos participantes.

    Se for constatado que o participante declarou informações falsas, conseguindo uma isenção indevida, ele será eliminado do exame, a qualquer tempo, e deverá ressarcir à União os custos referentes à taxa de inscrição, podendo ainda responder por crime contra a fé pública.

    Resultados

    O resultado final dos recursos será divulgado pelo Inep em 25 de maio. O instituto alerta que não enviará qualquer tipo de correspondência à residência do participante para informar o resultado, que deverá ficar atento à divulgação oficial do órgão.

    Após entrar com o recurso, o candidato que tiver seu pedido de isenção negado em definitivo deverá se inscrever regularmente e pagar a taxa de inscrição para ter sua participação confirmada. O edital com as regras do Enem 2026, bem como o período de inscrições e data das provas, ainda não foi publicado.

    A inscrição no Enem é obrigatória para todos os participantes, mesmo para quem teve a isenção aprovada. 

    Enem

    O Enem avalia o desempenho escolar dos estudantes ao término da educação básica. A prova é considerada a principal forma de entrada na educação superior, por meio de programas federais como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). As instituições de ensino públicas e privadas usam os resultados destas provas para selecionar estudantes.

    Desde o ano passado, o Enem voltou a ser aceito para certificação do ensino médio, no caso dos candidatos com 18 anos completos que alcancem a pontuação mínima em cada área do conhecimento e na redação.

  • Governo do Maranhão entrega obras de recuperação da rodovia MA-372

    Governo do Maranhão entrega obras de recuperação da rodovia MA-372

    A estimativa é que com a nova estrada os municípios produtores de grãos economizem cerca de 130 quilômetros para que a produção chegue até ao Porto do Itaqui.

    O Governo do Maranhão tem realizado a reestruturação da malha viária do estado e, neste sábado (16), entregou as obras de recuperação da MA-372, que liga a MA-270, em Mirador, à BR-230, em São Domingos do Azeitão. 

    Trata-se da maior obra de pavimentação executada pela atual gestão do Governo do Maranhão e, para marcar a liberação do tráfego, ocorreu uma grande carreata com a presença do governador Carlos Brandão e a população dos dois municípios.

    A MA-372 é chamada de rodovia do desenvolvimento e é essencial para o deslocamento da população e para a atividade econômica, impactando no escoamento da produção agrícola de todo o estado.

    Com extensão de 85 km, a nova rodovia vai fortalecer a mobilidade, melhorar o escoamento da produção e a integração entre os municípios da região sul do estado.

    O governador Carlos Brandão destacou que a entrega representa a concretização de um sonho de mais de 50 anos da população.

    “Em 4 de abril de 2024, assinei a ordem de serviço desta obra, que era considerada impossível. E hoje, 16 de maio de 2026, estamos inaugurando esta belíssima obra que transformará toda a região. É uma estrada construída do zero, com 85 quilômetros de extensão, que vai impulsionar o agronegócio. A soja e o milho produzidos no Maranhão passarão por aqui para serem transportados até o porto. Vamos reduzir em 9 horas o tempo de deslocamento. E, claro, a população também vai ter mais facilidade de acesso a serviços de saúde, educação e lazer”, assinalou Brandão.

    A prefeita de Mirador, Domingas Cabral, afirmou que o dia de hoje foi histórico e singular. “As palavras são insuficientes para expressar a magnitude deste feito, que perdurará por toda a vida, não apenas na minha memória, mas na história de Mirador. Nosso município, que possui uma das maiores extensões territoriais do Maranhão, testemunha hoje a transformação de suas vias de acesso em um marco de progresso. A construção desta estrada é um divisor de águas, impulsionando o desenvolvimento de nossa cidade”, declarou.

    Nova rota de escoamento da produção

    Quem utiliza a rodovia já fala das melhorias. Do Ceará, o caminhoneiro Raimundo Josivan disse que evitava passar pela região. “Antes, evitávamos trafegar por esta região devido às más condições das estradas e aos caminhos difíceis. Agora, melhorou significativamente para a gente, pois o percurso foi encurtado e a via se tornou mais larga. Diferente de outras estradas, mais estreitas, que dificultam o transporte de grãos em caminhões”, contou.

    Quem também já incluiu a MA-372 na sua rota foi o caminhoneiro José Orlando. “Essa estrada veio para beneficiar bastante os profissionais da estrada, porque o percurso aumentava muito com a gente indo por Paraibano. Passando por aqui a gente já sai bem à frente e quem carrega grãos precisa de um percurso mais seguro como esse aqui”, afirmou.

    A estimativa é que com a nova estrada os municípios produtores de grãos economizem cerca de 130 quilômetros para que a produção chegue até ao Porto do Itaqui, principal modal de exportação do Arco Norte brasileiro.

  • Bactéria encontrada em produtos da Ypê é resistente a antibióticos

    Bactéria encontrada em produtos da Ypê é resistente a antibióticos

    A bactéria Pseudomonas aeruginosa, encontrada em diversos produtos da indústria Ypê, é uma bactéria de grande resistência a antibióticos, afirma o infectologista Celso Ferreira Ramos Filho em entrevista à Agência Brasil.

    “Agora, excepcionalmente, ela causa doenças de forma espontânea. Ela vai causar doenças dentro de um hospital, em uma pessoa com traqueostomia, com respirador, com cateter venoso”, completou.

    Segundo o infectologista, como se trata de uma bactéria ambiental, esponjas usadas normalmente para lavar louça ou panos de chão podem estar contaminados, já que a bactéria permanece viva na água.

    De acordo com ele, a Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria de “vida livre”, ou seja, diferente de outras bactérias como a Escherichia coli, que vive dentro do intestino, ou o meningococo, que vive nas fossas nasais das pessoas.

    “Nós não vivemos em um ambiente que não tem micro-organismos. Existem outras bactérias de vida livre, como a Burkholderia que, eventualmente, podem causar doenças no homem”.

    Celso Ferreira é membro titular da Academia Nacional de Medicina (ANM) e professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

    De acordo com a decisão da Anvisa, divulgada nessa quinta-feira (7), lava-louças (detergente), sabão líquido para roupas e desinfetantes da Ypê com lote de numeração final 1 terão de ser recolhidos e não poderão ser usados pelos consumidores.

    Característica

    Segundo ele, a bactéria pode causar uma série de problemas em pessoas imunocomprometidas, desde infecção urinária a infecção respiratória em pessoas que têm problemas de pulmão crônicos, como enfisema, ou em pessoas submetidas a tratamento com cateter na veia.

    “Colocam um tubo na traqueia e a bactéria pode entrar por ali. Também pode ocorrer em pessoas que estejam fazendo quimioterapia, o que faz com que haja um comprometimento maior e prévio da saúde da pessoa”, explicou Celso Ferreira.

    Pessoas imunocomprometidas

    A médica Raiane Cardoso Chamon, professora do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF), afirmou à Agência Brasil que o maior problema dessa bactéria ocorre quando pessoas imunocomprometidas, que têm o sistema imunológico enfraquecido, entram em contato com ela.

    “Ela consegue causar infecções em pessoas que têm o sistema imune debilitado”.

    Em pacientes que têm fibrose cística, por exemplo, ela é causa comum de pneumonia. E o tratamento é muito difícil. Advertiu, por outro lado, que ela pode causar também problemas em pessoas saudáveis.

    “Dependendo da cepa da Pseudomonas, mesmo a pessoa saudável pode desenvolver uma infecção, como a otite de nadador, em pessoas que nadam em águas recreativas, como piscinas, rios, praias”, ressaltou Chamon.

    Para a profissional de saúde, o maior problema é quando a bactéria chega ao ambiente hospitalar, e a porta de entrada, geralmente, são as pessoas que trabalham ali ou entram no hospital, explicou a profissional de saúde.

    A médica relatou ainda que, dentro do ambiente hospitalar, onde uma pressão seletiva de antibióticos é muito grande, a bactéria carrega dentro dela uma série de resistências.

    Segundo Chamon, isso pode provocar infecções mais graves, associadas a pessoas que usam sonda urinária, têm infecção de corrente sanguínea, estão com pneumonia, pessoas com ventilação mecânica, E o tratamento, por conta da gravidade da infecção, é mais difícil, além da questão de a bactéria aumentar o poder de resistência.

    “Esse é o pior cenário de todos”, afirmou.

    Contaminação

    Como a Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria que vive muito bem no solo, na água e em ambientes úmidos, Raiane acredita que a contaminação pode ter ocorrido no momento de produção.

    “Não houve um controle microbiológico adequado. Provavelmente, algum reagente na hora de fabricação desses produtos estava contaminado pela Pseudomonas, e acaba que ela consegue se multiplicar nesses ambientes úmidos também”, explicou.

    “Na falta do controle microbiológico nas etapas necessárias de fabricação, pode ter tido um crescimento descontrolado de uma cepa específica, que vive melhor em ambientes com detergentes, por exemplo, e a gente acaba detectando, ela, nesses materiais”.

    Segundo a médica, existem níveis aceitáveis de contaminação microbiana em todos os produtos. O que não pode é ultrapassar esse nível para não oferecer risco à saúde, principalmente nos indivíduos que estão mais comprometidos em seu sistema imune.

    Comunicado

    Em comunicado divulgado na quinta-feira (7), a Ypê esclareceu que está colaborando integralmente com a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) “e conduzindo todas as ações necessárias com máxima prioridade, responsabilidade e transparência”.

    A empresa informou ainda que vem realizando análises técnicas e avaliações complementares, incluindo testes e laudos independentes, que estão sendo apresentados à Anvisa, “reforçando o compromisso da empresa com a qualidade, a segurança e a conformidade regulatória dos seus produtos”.

    A indústria se compromete ainda a incorporar de forma imediata eventuais aprimoramentos e recomendações regulatórias da Agência ao seu Plano de Ação e Conformidade Regulatória, desenvolvido em conjunto com a própria Anvisa desde dezembro de 2025.

    Agência Brasil procurou a Ypê nesta sexta-feira (8), mas não houve resposta por parte da assessoria de imprensa da empresa até a publicação desta matéria.

  • PROCON Maranhão aciona rede de saúde Hapvida por descredenciamento de clínica especializada em TEA

    PROCON Maranhão aciona rede de saúde Hapvida por descredenciamento de clínica especializada em TEA

    O Instituto de Promoção e Defesa do Cidadão e Consumidor do Maranhão (PROCON/MA) ingressou com uma Ação Civil Pública contra a operadora Hapvida Assistência Médica após denúncias sobre o descredenciamento da Clínica Espaço Avançar, responsável pelo atendimento de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Segundo o órgão, cerca de 283 pacientes podem ser afetados pela medida.

    A Hapvida informou que os atendimentos seriam transferidos para unidades da própria rede, no entanto, fiscalizações realizadas pelo PROCON/MA, pela Vigilância Sanitária, conselhos profissionais e entidades representativas apontaram que as clínicas indicadas não possuem estrutura adequada para absorver toda a demanda. As inspeções identificaram problemas como estrutura física insuficiente, falta de acessibilidade, ausência de documentação obrigatória e número reduzido de profissionais especializados no atendimento de pessoas com TEA.

    “A interrupção de um tratamento tão importante, especialmente quando estamos falando de crianças e adolescentes com TEA, pode causar regressão no desenvolvimento das crianças, além da quebra do vínculo terapêutico construído com os profissionais que já acompanham os pacientes”, destaca o presidente em exercício do PROCON/MA, Ricardo Cruz.

    O PROCON/MA também afirma que a operadora não apresentou informações claras sobre como será feita a transferência dos pacientes, nem garantiu que as novas unidades terão a mesma qualidade e capacidade de atendimento da clínica descredenciada.

    Além disso, o órgão aponta que a medida pode violar normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e o Código de Defesa do Consumidor, já que a substituição de clínicas deve garantir atendimento equivalente aos beneficiários.

    Diante da situação, o PROCON/MA pede que a Justiça suspenda o descredenciamento da Clínica Espaço Avançar até que a Hapvida comprove que existe uma rede substituta com capacidade adequada para atender os pacientes sem prejuízos aos tratamentos.

  • Obesidade se torna principal fator de risco à saúde no Brasil

    Obesidade se torna principal fator de risco à saúde no Brasil

    obesidade se tornou o maior fator de risco para a saúde no Brasil, superando a hipertensão, que foi o elemento de maior preocupação por décadas. 
    Agora, a pressão alta está em segundo lugar, seguida do quesito glicemia elevada.

    Esse é um dos destaques da análise nacional do Estudo Global sobre Carga de Doenças, feito por milhares de pesquisadores de todo o mundo, cobrindo mais de 200 países. 

    O diagnóstico brasileiro foi publicado na edição de maio da revista científica The Lancet Regional Health – AmericasO levantamento enfatiza que a população passou por grandes mudanças no estilo de vida nas últimas décadas, como aumento da urbanização.

    Esse cenário contribuiu para reduzir os níveis de atividade física, adotar dietas hipercalóricas, ricas em sal e com excesso de alimentos ultraprocessados.

    O endocrinologista Alexandre Hohl, membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, também destaca essas mudanças.

    Segundo ele, esses comportamentos contribuem para que os brasileiros vivam em um “ambiente obesogênico”. Para ele, a obesidade é um dos maiores desafios de saúde pública que o país precisa enfrentar.

    “A obesidade não é apenas excesso de peso, mas uma doença crônica inflamatória e metabólica que aumenta simultaneamente o risco de diabetes tipo 2, hipertensão, infarto, AVC e vários tipos de câncer.”

    Números

    Essas alterações no estilo de vida e suas consequências ficam evidentes na comparação com os dados mais antigos apresentados, de 1990. Naquele ano, os três maiores fatores de risco eram a hipertensão, seguida pelo tabagismo e a poluição por materiais particulados no ar. 

    O Índice de Massa Corporal (IMC) elevado, o principal indicador da obesidade, figurava em sétimo lugar e a glicemia elevada, em sexto. Em 2023, a obesidade passa a ocupar a primeira posição, após crescimento constante no risco atribuído, que acumulou 15,3% desde 1990.

    A comparação entre 1990 e 2023 traz boas e más notícias: por um lado, o risco de morte ou de perda de qualidade de vida causado pela poluição particulada do ar caiu 69,5%. 

    Por outro, a queda também foi expressiva, de aproximadamente 60%, nos casos do tabagismo, prematuridade e baixo peso ao nascer e alto índice de colesterol LDL.

    Porém, de 2021 a 2023, o risco por tabagismo apresentou um ligeiro aumento de 0,2%, após muitos anos de queda sustentada. 

    Chama atenção ainda o risco atribuído à violência sexual durante a infância, que aumentou quase 24%. Este fator aparecia na 25ª posição em 1990 e saltou para o 10º em 2023. 

    Veja a lista atual de maiores fatores de risco à mortalidade ou perda da qualidade de vida:

    1. Índice de massa corporal elevado;
    2. Hipertensão;
    3. Glicemia elevada;
    4. Tabagismo;
    5. Prematuridade ou baixo peso ao nascer;
    6. Abuso de álcool;
    7. Poluição particulada do ar;
    8. Mau funcionamento dos rins;
    9. Colesterol alto;
    10. Violência sexual na infância.

    Com informações da Agência Brasil

  • IA pode gerar mais fake news nas eleições, alertam especialistas

    IA pode gerar mais fake news nas eleições, alertam especialistas

    O uso da inteligência artificial (IA) na campanha eleitoral deste ano deve ser um ponto de especial atenção do ministro Nunes Marques à frente do Tribunal Superior Eleitoral. 

    Para especialistas ouvidos pela Agência Brasil, o uso da tecnologia poderá transbordar até outubro e agravar a circulação de notícias falsas em contexto de grande polarização política e baixo letramento digital.

    O advogado eleitoral Jonatas Moreth, mestre em Direito Constitucional, avalia que a Justiça Eleitoral atua para coibir desvios já ocorridos em meio à práticas de manipulação que se aperfeiçoam.

    “O processo eleitoral e o papel dos tribunais eleitorais se assemelham ao que ocorre no esporte com o doping e o antidoping. O doping sempre está um pouco à frente do antidoping. Ou seja, inventa-se uma droga que não é pega nos exames rotineiros, até que um procedimento consegue captar e passa a ser acrescido nos exames”, explica.

    Para o professor Marcus Ianoni, do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense, a capacidade da Justiça Eleitoral em agir vai depender da disponibilidade de quadros técnicos qualificados.

    “Eu fico com um pouco de dúvida se toda a burocracia que tem será suficiente para dar conta de tudo”, pondera o acadêmico se referindo à possibilidade de aumento e sofisticação do uso da inteligência artificial para manipular a atenção dos eleitores e suas intenções de voto.

    “Enfrentar os efeitos nocivos da inteligência artificial nas eleições” é uma das três prioridades que o ministro Nunes Marques terá à frente do TSE, informa a assessoria de imprensa de seu gabinete à Agência Brasil.

    Debate e diálogo

    O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, também quer “privilegiar o debate e o direito de resposta de todos os envolvidos no processo eleitoral” e assegurar “diálogo com os tribunais regionais e as principais demandas do país”.

    Para Jonatas Moreth, Nunes Marques objetiva articular toda a Justiça Eleitoral e fazer com que os tribunais regionais e o TSE trabalhem “numa mesma sintonia e de forma uníssona.”

    A concordância e a unidade dos tribunais podem ser determinantes na escolha de modelo de atuação: se mais intervencionista e proibitiva, como ocorreu durante a gestão do ministro Alexandre Moraes, de agosto de 2022 a junho de 2024, ou mais liberal, considera Moreth.

    “Eu tenho um grau de preocupação, não porque eu não defendo o debate mais livre quando é um debate de ideias, mas quando é uma arena de ofensa e de mentira”, alerta.

    Na avaliação do cientista político Marcus Ianoni, o ministro Nunes Marques “tende para ideia mais expandida de liberdade de expressão, em nome do suposto debate”. Mas o TSE poderá impor limites, avalia.

    “A liberdade de expressão não pode ser usada para viabilizar qualquer tipo de expressão, como mentiras, calúnia, difamação e injúria. Enfim, tem certos limites previstos na lei”, pondera Ianoni.

    Pesquisas

    O professor também se preocupa com a divulgação de pesquisas eleitorais. 

    “Acho que o TSE tem que estar devidamente capacitado para garantir que as regras das pesquisas sejam respeitadas e para combater eventuais pesquisas, digamos, clandestinas, que possam tentar confundir a cabeça do eleitor”, diz.

    Para ele, a legislação pode estar adequada para evitar a veiculação de resultados fraudulentos, porém é preciso fiscalização efetiva. 

    “É proibido atravessar o sinal vermelho, mas se não tiver um guarda de trânsito ali ou um radar, a pessoa pode atravessar o sinal vermelho sem nenhuma consequência”, compara.

    Fraudes em pesquisas eleitorais costumam ser denunciadas pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep). A legislação determina a obrigação de registro na Justiça Eleitoral, o nome do estatístico responsável, além de informações sobre a amostra, o questionário e a aplicação. 

    “Mas não tem uma auditoria mais precisa, mais cuidadosa quanto à realização das pesquisas”, aponta o advogado Jonatas Moreth. 

    “A gente não conseguiu, infelizmente, até o momento, uma fórmula que preserve algum grau de autonomia da empresa e ao mesmo tempo tenha maior garantia de auditoria e de fiscalização”, complementa.

  • Polícia Civil do Maranhão deflagra Operação Nêmesis contra integrantes do Comando Vermelho

    Polícia Civil do Maranhão deflagra Operação Nêmesis contra integrantes do Comando Vermelho

    A Polícia Civil do Maranhão deflagrou a Operação Nêmesis, ação interestadual de combate ao crime organizado voltada à captura de integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV), investigados por atentados contra servidores da segurança pública no município de Bacuri, no litoral ocidental maranhense.

    A operação foi coordenada pelo Departamento de Combate ao Crime Organizado (DCCO), vinculado à Superintendência Estadual de Investigações Criminais (SEIC), e contou com apoio operacional da Polícia Civil do Pará para o cumprimento das medidas judiciais no município de Ananindeua (PA).

    Os investigados respondem por duas tentativas de homicídio praticadas contra policiais civis lotados na Delegacia de Bacuri.

    O primeiro ataque ocorreu em 24 de janeiro deste ano, quando criminosos efetuaram disparos de arma de fogo contra o motorista da unidade policial. Já no dia 18 de março, integrantes do mesmo grupo criminoso realizaram diversos disparos contra a residência de um escrivão da Polícia Civil. Os tiros atingiram o interior do imóvel, inclusive o quarto utilizado pela vítima.

    Após os crimes, parte dos investigados fugiu para o estado do Pará. A partir de intenso trabalho de investigação e inteligência conduzido pela Polícia Civil do Maranhão, em atuação integrada com a Polícia Civil paraense, foi possível localizar os alvos e viabilizar a deflagração da operação.

    Durante a ação, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e um mandado de apreensão contra um adolescente apontado como integrante da organização criminosa.

    A secretária de Estado da Segurança Pública, coronel Augusta Andrade, destacou a atuação integrada das forças policiais e o trabalho técnico conduzido pela Polícia Civil do Maranhão.

    “Essa operação mostra a capacidade de resposta das nossas forças de segurança diante de ataques contra agentes públicos. Seguiremos atuando com firmeza no enfrentamento às facções criminosas e na proteção dos nossos servidores e da população maranhense”, afirmou a secretária.

    O delegado-geral da Polícia Civil do Maranhão, Augusto Barros, ressaltou o papel estratégico da investigação conduzida pela corporação.

    “A Polícia Civil do Maranhão desenvolveu um trabalho investigativo fundamental para identificar os envolvidos, localizar os foragidos e subsidiar a atuação integrada com a Polícia Civil do Pará. É uma resposta firme contra organizações criminosas que tentam afrontar o Estado e intimidar nossos policiais. A determinação é seguir avançando até localizar todos os envolvidos”, destacou.

    No Pará, a operação contou com a atuação da Delegacia de Repressão às Facções Criminosas (DRFC), da Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), além do apoio da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE) e do Grupo de Trabalho de Facções (GTF/NIP).

    No Maranhão, participaram equipes da Delegacia de Polícia de Bacuri e da 21ª Delegacia Regional de Cururupu.

    A Operação Nêmesis reforça o trabalho da Polícia Civil do Maranhão no enfrentamento às facções criminosas, especialmente contra ações direcionadas a agentes públicos da segurança, demonstrando a capacidade investigativa, de inteligência e de articulação interestadual das forças policiais.

    As investigações seguem em andamento para a localização e prisão dos demais envolvidos.

  • Filha do revolucionário marxista Che Guevara vê risco de invasão dos EUA contra Cuba

    Filha do revolucionário marxista Che Guevara vê risco de invasão dos EUA contra Cuba

    A médica Aleida Guevara, filha de Che Guevara, um dos líderes da Revolução Cubana, afirma que existe, em Cuba, a sensação de que os Estados Unidos (EUA) podem invadir a ilha a qualquer momento devido ao comportamento imprevisível do presidente Donald Trump.

    “Sabemos que podem nos atacar a qualquer momento porque são loucos. Esperemos que a loucura não chegue ao extremo e que eles se deem conta do tipo de inimigos que realmente podemos ser. Porque Fidel disse: ‘Quando um povo enérgico e viril chora, a injustiça treme’”, disse à Agência Brasil.

    Em visita ao Brasil, a filha de Che Guevera comentou sobre a situação da ilha após o endurecimento do bloqueio econômico e energético, que deixou o país três meses sem receber petróleo.

    Com 65 anos, Aleida avalia que a maioria do povo cubano segue fiel aos princípios da Revolução de 1959, que instituiu o primeiro Estado de inspiração socialista na América Latina, desafiando a hegemonia dos EUA na região.

    Ela também comenta sobre a questão da democracia na ilha; sobre a solidariedade internacional em relação a Cuba e sobre como é ser filha de Che Guerava no país que seu pai ajudou a construir.

    Confira a entrevista abaixo:

    Agência Brasil: O que trouxe a senhora ao Brasil?

    Aleida Guevara: Vim ao 4º encontro do MPA [Movimento dos Pequenos Agricultores] e foi incrivelmente interessante porque ainda há muito a ser resolvido no Brasil, problemas de todos os tipos, mas o principal é a questão da terra. A reforma agrária continua sendo o calcanhar de Aquiles do país. Se não houver uma reforma agrária profunda e real, será muito difícil resolver o problema da alimentação, da soberania alimentar.

    E o movimento campesino aqui no Brasil apoia muito Cuba. E o mais bonito para mim é que o campesinato no evento falou sobre socialismo. Veja que interessante. E ainda identificam Cuba como um farol de liberdade e dignidade humanas. E isso é extremamente importante para uma cubana.

    Agência Brasil: Pretende ficar mais tempo no Brasil?

    Aleida Guevara: Não, eu volto nesta sexta-feira [15] porque tenho muita coisa para fazer e, além disso, Cuba está sob ameaça de ataque, e a pior coisa que poderia me acontecer na vida é meu próprio país ser atacado e eu não estar lá. Isso me deixaria louca. Eu preciso estar lá.

    Agência Brasil: Existe um sentimento de que essa invasão pode, de fato, ocorrer? Ou o sentimento é de que os EUA não fariam isso?

    Aleida Guevara: Moramos nesse lugar histórico há muitos anos, muito perto do império americano e esse homem [Donald Trump] que está completamente fora de si, totalmente louco.

    Você simplesmente não sabe o que pode acontecer. Quando você tem um inimigo, você o analisa, estuda e sabe, mais ou menos, se o que ele está dizendo pode ser verdade ou não. Com esse homem, você não consegue nem avaliar o que ele diz.

    Não somos tolos. Sabemos que podem nos atacar a qualquer momento porque são loucos. Esperemos que a loucura não chegue ao extremo e que eles se deem conta do tipo de inimigos que realmente podemos ser. Porque Fidel disse: ‘Quando um povo enérgico e viril chora, a injustiça treme’.

    Agência Brasil: O bloqueio de mais de seis décadas dos EUA busca levar o povo cubano a se colocar contra o governo. Acha que isso é possível?

    Aleida Guevara: Sempre haverá algum idiota que acredita nessa história, mas a maioria da população – felizmente – sabe perfeitamente quem é seu inimigo.

    Quando bate aquele cansaço de toda essa situação, acontece de os Estados Unidos dizerem algum absurdo, que provoca uma reação nas pessoas.

    Há contrarrevolucionários em Miami, por exemplo, que antes apoiavam a invasão, e agora não apoiam mais porque viram que seus familiares estão sendo prejudicados pelo bloqueio, pela falta de gasolina e medicamentos. Ainda que tenham dinheiro para comprar, não conseguem.

    Os Estados Unidos sempre foram promotores da unidade em Cuba devido à sua idiotice como inimigos, à sua falta de inteligência.

    Se você tem consciência social e educação, percebe o que pode acontecer ao seu redor. Temos o Haiti ao lado, por exemplo, além de Porto Rico, que é supostamente uma colônia dos Estados Unidos.

    Um ciclone passou por lá, e o que Trump fez? Jogou papel higiênico neles [Em 2017, o presidente Donald Trump visitou Porto Rico, após um desastre natural, e arremessou rolos de papel em um centro de distribuição de ajuda]. E deixou 80% de Porto Rico sem eletricidade.

    Cuba sabe de tudo isso, o povo cubano tem um nível significativo de cultura. José Martí [líder da independência de Cuba] dizia que somente um povo culto pode ser verdadeiramente livre, porque não pode ser facilmente manipulado.

    A França tem vários territórios que chamam de “ultramarinos”, que são suas colônias. Eles não buscam a independência porque têm medo de passar com eles o que passou com o Haiti, que foi o primeiro país livre da América Latina e sofreu um duro cerco e bloqueio das potências europeias por sua ousadia.

    O mesmo ocorre com Cuba. O bloqueio é para que nenhum outro país se atreva a virar socialista. Para que sirva de exemplo para as demais nações.

    Agência Brasil: Como está a situação da ilha nesse momento?

    Aleida Guevara: Os problemas econômicos que enfrentamos são muito sérios. Quando se bloqueia uma ilha e se impede a entrada de petróleo, tudo para. No momento, não temos apagões, mas sim fornecimento intermitente de energia, horas de luz. E, nas províncias, há cidades que ficaram 72 horas sem eletricidade. E me diga, como se conserva comida nessa situação?

    Brasília (DF) 14/05/2026 - A médica pediatra Aleida Guevara, filha de Che Guevara, durante entrevista exclusiva à Agência Brasil  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

    Agência Brasil: Como a senhora avalia a solidariedade internacional em relação a Cuba?

    Aleida Guevara: Foi imediata. A ideia de que semeamos solidariedade é verdadeira. Tudo começou com a Escola Latino-Americana de Medicina [Elam], onde demos a muitos latino-americanos a oportunidade de se tornarem médicos em Cuba gratuitamente.

    Isso já foi significativo porque as famílias desses jovens e os próprios jovens reagiram imediatamente em apoio a Cuba. Acabei de receber duas malas de medicamentos dos estudantes uruguaios formados na Elam.

    Aqui em Uberlândia [MG], por exemplo, dois sindicatos se uniram e me enviaram inúmeras malas de medicamentos.

    Agência Brasil: Esse é um apoio da sociedade civil. Como tem sido o apoio e solidariedade dos governos?

    Aleida Guevara: Governos são mais complicados. Eles vêm e vão, mas o povo sempre é o mesmo. E o que nos interessa é a solidariedade do povo. Governos têm suas limitações. Você sabe que a política internacional se move de acordo com o que lhe convém. É triste, mas é assim que funciona.

    Na América Latina, o governo mexicano se destaca. A presidente [Claudia Sheinbaum] tem dignidade, e diz calmamente: ‘Vou continuar ajudando o povo cubano’. Ela já enviou vários navios com alimentos.

    Há os russos que, apesar da guerra com a Ucrânia e da pressão europeia, nos enviaram um navio com petróleo, e outro carregamento certamente está a caminho. Na Itália, por exemplo, várias brigadas de solidariedade foram organizadas, trazendo-nos o que podiam: remédios, suprimentos para hospitais e comida. Devemos aos chineses, e eles perdoaram a dívida. Existe solidariedade.

    Agência Brasil: Aqui no Brasil, Cuba costuma ser estigmatizada por parte da mídia e de partidos que acusam o país de não ser uma democracia. Como a senhora responde a esse tipo de crítica?

    Aleida Guevara: Democracia vem do grego e significa poder do povo. Agora me diga, em que país que você conhece existe poder do povo? Que quando o povo decide algo, o governo o executa. Isso é democracia. E onde ela está?

    Onde está esse poder do povo? Significa também igualdade de condições para ser julgado, por exemplo, não importa quanto dinheiro você tenha no banco. Onde está essa democracia? Onde ela se concretiza?

    Quando o povo brasileiro entender o que é democracia de verdade, perceberá que, em Cuba, existe uma democracia verdadeira. A mais popular e a mais aberta que existe, porque o povo governa.

    Agência Brasil: Como foi o contato da senhora com seu pai, Che Guevara?

    Aleida Guevara: Tive pouco contato com meu pai, mas tenho uma mãe espetacular [Aleida March, viúva de Che] que me ensinou a amá-lo, conhecê-lo e admirá-lo. Se hoje sou uma mulher socialmente útil, é graças à educação que recebi dela.

    Minha mãe é de origem camponesa com uma formação acadêmica extraordinária. Ela foi combatente da resistência na clandestinidade e, mais tarde, do Exército rebelde. Estudou história, além da formação em pedagogia que já possuía e é cubana de corpo e alma.

    Ela ficou sozinha muito cedo com quatro filhos pequenos. Quando um camarada morre, como meu pai, os outros camaradas tentam aliviar a pressão com ajuda material. Mas minha mãe não permitia que recebêssemos nada a mais que as outras famílias recebiam, devido à quantidade de suprimentos que existia em Cuba.

    Isso porque ela seguiu as instruções do meu pai. Nós comíamos o que todos em Cuba comiam. Não tínhamos privilégios. Mas fomos privilegiados por ter o carinho e a admiração do povo cubano, por receber esse calor humano.

    Nesse aspecto, você percebe que meu pai ainda está muito vivo para o povo, eles o mantêm muito presente, e isso, para uma filha, é extraordinário. Nós não desfrutamos dele, mas, mesmo assim, ele está lá. A presença dele é muito forte em Cuba, principalmente nas crianças.