Carnaval com identidade: crochê maranhense vira tendência e impulsiona vendas em 2026

O Carnaval já toma conta do Maranhão e, junto com a música, as cores e a alegria, uma tendência vem chamando atenção nos looks de quem vai curtir a folia no circuito Vem Pro Mar, na Avenida Litorânea, e no circuito Vem Pro Centro, no Centro Histórico de São Luís: o crochê.

Bandanas, boinas, tops, biquínis, bolsas e acessórios artesanais se consolidam como aposta de moda para o Carnaval de 2026, unindo estilo, conforto e identidade cultural.

Para a secretária de Estado do Turismo, Socorro Araújo, o Carnaval também é uma grande vitrine para o artesanato maranhense. “O Carnaval movimenta o turismo, a cultura e a economia. Quando o visitante escolhe o artesanato local para curtir a festa, ele valoriza nossa identidade e contribui diretamente para a geração de renda das artesãs e artesãos maranhenses”, destaca.

Com origem europeia, o crochê ganhou novo fôlego na moda contemporânea e passou a ocupar espaço nas passarelas, nas redes sociais e em produções de grande audiência, como o Big Brother Brasil. No Maranhão, a técnica dialoga com referências culturais locais e se reinventa, tornando-se presença marcante também durante o período carnavalesco.

Leve, colorido e versátil, o crochê se adapta ao clima da festa e permite composições autênticas, valorizando o feito à mão e oferecendo alternativas à produção em larga escala.

Ceprama: artesanato que acompanha a folia

É no Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão (Ceprama), vinculado à Secretaria de Estado do Turismo (Setur-MA), que o público encontra uma diversidade de peças em crochê ideais para o Carnaval. Localizado na Rua São Pantaleão, nº 1322, Bairro Madre Deus, São Luís – MA, o espaço está preparado para receber maranhenses e turistas em busca de produtos com identidade.

Segundo o gestor do Ceprama, Silvério Costa, o Centro passou por melhorias estruturais recentes. “O Ceprama ganhou balcões novos, um design interno mais organizado e funcional, pensado para valorizar o trabalho artesanal e melhorar a experiência do visitante”, afirma.

No espaço, o crochê revela múltiplas identidades criativas. Entre as artesãs que produzem no Ceprama estão Iracy Câmara, Raquel Matos, Ana Lúcia Cunha e Assunção de Maria, que transformam fios em peças alinhadas à moda atual e à cultura maranhense.

A artesã Iracy Câmara desenvolve um trabalho com forte identidade local, tendo como destaque peças em crochê com temática reggae, ritmo símbolo da cultura maranhense. “Eu gosto de colocar nas peças aquilo que representa o nosso povo. O reggae faz parte da nossa história e isso aparece nas cores e nos detalhes”, explica.

Autodidata, Raquel Matos aprendeu a técnica por meio de pesquisas e vídeos. Atualmente cria blusas, boinas, shorts, biquínis, brincos e roupas infantis, dialogando com diferentes públicos. “A gente já produz pensando além do Carnaval. Estou preparando peças inspiradas na Copa e faço crochê para criança, adulto, para todo mundo. O importante é acompanhar o momento e transformar tendência em peça artesanal”, afirma.

Já Ana Lúcia Cunha aposta em bolsas e peças versáteis que transitam entre o dia a dia e a folia. “Procuro fazer peças que possam ser usadas depois do Carnaval também, valorizando o investimento de quem compra”, ressalta.

Assunção de Maria amplia as possibilidades criativas com acessórios e vestuário leve e colorido. “Cada peça carrega um pouco da nossa dedicação. No Carnaval, as pessoas querem brilho e cor, e o crochê permite isso com autenticidade”, destaca.

Artesanato que ultrapassa espaços e gera renda

O fortalecimento do crochê no Carnaval maranhense também se reflete fora dos espaços institucionais. Um exemplo é a artesã Georgina Lima, de 71 anos, moradora do bairro Fé em Deus, em São Luís. Embora não atue no Ceprama, ela representa a força do artesanato produzido nas comunidades e o impacto social da atividade.

Georgina aprendeu a crochetar recentemente e divide a produção com as filhas, transformando o artesanato em fonte de renda e autonomia. “O crochê me deu independência e orgulho do que faço. É algo que aprendi já mais velha, mas que mudou minha vida”, relata.

Histórias como a de Georgina mostram que o crochê vai além da moda: é ferramenta de inclusão, geração de renda e valorização do saber tradicional, presente em diferentes bairros e realidades do Maranhão.

Mais do que lembrança turística, o crochê produzido no Maranhão carrega histórias, afetos e referências culturais que seguem em circulação mesmo após o Carnaval. Cada peça representa trabalho, identidade e resistência criativa.

Neste Carnaval, o convite é vestir crochê e valorizar o artesanato maranhense. No Ceprama e também nas comunidades, essas histórias seguem ganhando as ruas junto com a folia.

Texto e fotos: Geíza Batistta

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