Eleição para governador no Maranhão coloca em risco hegemonia petista

Nordeste, principal base eleitoral da esquerda nas últimas duas décadas, chega à sucessão estadual de 2026 sob sinais de reconfiguração política.

Levantamentos recentes dos institutos Real Time Big Data e Paraná Pesquisas indicam que o PT pode enfrentar disputa competitiva, com risco de derrota, em até três dos quatro Estados que governa na região, que concentra 27% do eleitorado nacional e teve peso decisivo nas últimas eleições presidenciais.

Em 2022, o partido venceu na Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, enquanto aliados mantiveram Maranhão e Paraíba. O resultado consolidou ampla presença institucional no Nordeste e transformou a região no principal sustentáculo da vitória de Lula.

Foi ali que o presidente obteve sua maior vantagem: no segundo turno, somou 22,5 milhões de votos (69,34% dos válidos), contra 9,9 milhões de Jair Bolsonaro — diferença superior a 12,5 milhões de votos.

Três anos depois, o cenário indica maior fragmentação e avanço de forças de centro e direita em Estados antes considerados terreno seguro do petismo. Perder espaço significaria reduzir palanques estaduais, influência na formação das chapas ao Senado — cada Estado elegerá dois senadores em 2026 — e capacidade de coordenação eleitoral em seu principal reduto.

O quadro ainda depende das convenções e das alianças partidárias, e há disputas em situação de empate técnico. Ainda assim, a largada sugere uma mudança estrutural: o Nordeste deixou de ser território de conforto automático para o PT. Se a tendência se confirmar, a eleição estadual poderá alterar o equilíbrio regional.

Maranhão: permanência de Brandão altera sucessão

A disputa no Maranhão envolve três polos principais: o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD); o grupo do governador Carlos Brandão (sem partido), que lançou o secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB); e o vice-governador Felipe Camarão (PT).

Brandão decidiu permanecer no cargo e não disputar o Senado, o que impede que Camarão assuma o governo no prazo de desincompatibilização e altere o equilíbrio interno da base.

Sobrinho de Brandão, Orleans passou a receber apoio de partidos aliados, como PSDB, PP, União Brasil, PV, Cidadania, Podemos e Solidariedade. Camarão mantém discurso de candidatura ligada ao campo político de Flávio Dino e tenta consolidar apoio interno no PT e no PCdoB.

Com informações do Congresso em Foco

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