Deputado pede ao STF para esclarecer uso do nome de Dino em ameaças políticas no Maranhão

O deputado federal Hildo Rocha (MDB-MA) pediu da tribuna da Câmara que o Supremo Tribunal Federal (STF) se manifeste sobre o uso reiterado do nome do ministro Flávio Dino em episódios de supostas ameaças e articulações políticas no Maranhão.

O parlamentar afirmou que relatos, áudios e mensagens divulgados recentemente indicariam que o nome do ministro estaria sendo citado em negociações e pressões políticas no estado.

O pronunciamento ocorre em meio a um ambiente de forte tensão política no Maranhão desde que Dino deixou a vida partidária para assumir uma cadeira no STF. Hildo Rocha citou que, após a ida de Dino ao Supremo, um grupo político ligado ao ex-governador passou a levar disputas locais à Corte.

Entre os casos mencionados estão a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa — vencida pela deputada Iracema Vale, primeira mulher a presidir a Casa — e a controvérsia envolvendo indicações ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), que mantém duas vagas abertas há quase dois anos por decisão monocrática.

Ao tratar do caso na tribuna da Câmara, Hildo Rocha afirmou que há relatos de que o governador estaria sendo pressionado politicamente. Segundo o deputado, as mensagens indicariam que “o governador Carlos Brandão deveria renunciar até o dia 4 de abril para disputar o Senado” e acrescentou que, segundo os relatos apresentados,  “caso não renuncie até essa data, ele seria afastado do cargo após o dia 4.” O parlamentar afirmou que essas falas estariam sendo atribuídas a interlocutores que citam o nome do ministro do STF.

Áudios comprometedores

A tensão no Maranhão aumentou após a divulgação de áudios pelo deputado estadual Yglésio Moyses. Nas gravações aparecem interlocutores próximos ao ministro, entre eles os deputados federais Márcio Jerry e Rubens Júnior, além de Galdino, ex-assessor direto de Flávio Dino e atual secretário executivo do Ministério do Esporte.

Nos trechos divulgados surgem expressões como “resolver Colinas”, “zera tudo”, “libera o TCE” e “falei com o Flávio Dino”. As falas indicariam uma possível relação entre a disputa política no município de Colinas — reduto eleitoral ligado ao grupo de Márcio Jerry — e o processo envolvendo vagas no TCE que tramita no Supremo.

Também vieram a público mensagens atribuídas ao desembargador Ney Bello mencionando condicionamentos políticos relacionados à permanência do governador Carlos Brandão no cargo.

Pedido de esclarecimento e silêncio

Na tribuna, Hildo Rocha afirmou que prefere acreditar que o ministro Flávio Dino não tenha conhecimento do uso de seu nome nas supostas pressões políticas. “Prefiro acreditar que o ministro Flávio Dino não saiba que estão usando o nome dele para fazer chantagem e ameaças políticas”, declarou.

O deputado pediu que o STF esclareça se o nome de um integrante da Corte está sendo usado indevidamente em disputas políticas regionais.

Até o momento, o ministro Flávio Dino não se manifestou publicamente sobre os áudios, as mensagens ou as declarações feitas na Câmara. O caso ganhou repercussão nacional após o pronunciamento parlamentar ser encaminhado para divulgação na Voz do Brasil.

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *