Dez anos após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o legado institucional deixado pelo processo ainda é visível na política brasileira. A partir de 2016, o arranjo que sustentava a disputa entre PT e PSDB começou a se desfazer, abrindo espaço para uma dinâmica mais fragmentada, com maior volatilidade eleitoral e novos desafios para a busca por governabilidade.
A chegada de Michel Temer ao Planalto ocorreu sob forte ancoragem no Congresso, com a formação de uma base ampla e heterogênea. Seu governo operou com foco na agenda econômica e na estabilização institucional após a crise política, enquanto o Legislativo ampliava gradualmente sua influência sobre decisões centrais, movimento que ganharia força nos anos seguintes.
Em paralelo, a Operação Lava Jato aprofundou o desgaste das principais lideranças políticas e atingiu o núcleo dos partidos que haviam estruturado o sistema nas décadas anteriores. A prisão de Lula e a queda de figuras como Eduardo Cunha contribuíram para ampliar a percepção de crise de representação, alimentando um ambiente de desconfiança institucional.
Esse cenário abriu caminho para a ascensão de uma nova direita, muito mais combativa. Impulsionado pelo antipetismo e por um discurso de enfrentamento à classe política, Jair Bolsonaro capitalizou o desgaste dos partidos tradicionais e se projetou nacionalmente. Sua vitória em 2018 refletiu tanto a força desse movimento quanto a dificuldade de adaptação de siglas como o PSDB, que perderam protagonismo.
Nos anos seguintes, consolidou-se um quadro de maior fragmentação e polarização, com protagonismo ampliado do Congresso na condução de políticas públicas e na alocação de recursos. A volta de Lula ao Planalto ocorreu sob esse desenho já reconfigurado, em que a relação entre Executivo e Legislativo passou a operar com novos incentivos e formas de negociação.
Enquanto isso, novos atores cresceram fora dos holofotes do poder: o Republicanos mais do que duplicou sua bancada na Câmara, o Democratas ganhou novo fôlego com a construção do União Brasil e o PSD se tornou protagonista na tomada de decisões do Congresso Nacional.
Entenda os principais eventos que marcaram a política nacional após o impeachment:
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