Prefeito de Campestre do Maranhão ameaça demitir servidores que não votarem em Flávio Bolsonaro

Ainda que não tenham ligação direta com as eleições deste ano, 922 servidores da Prefeitura de Campestre do Maranhão (MA) podem estar com o futuro ameaçado pelo processo eleitoral que vai definir o próximo presidente do Brasil.

Isso por que o prefeito da cidade, Fernando Bermuda (PSB), tem ameaçado demitir funcionários municipais que não apoiarem Flávio Bolsonaro (PL) na votação em outubro. 

As ameaças constam em relatos de servidores municipais e em mensagens enviadas pelo chefe do Executivo local em grupos e canais de transmissão, aos quais o Metrópoles teve acesso.

“Quem votar em Lula tá na rua”

Em 4 de agosto, a Prefeitura de Campestre do Maranhão promoveu um culto para celebrar o início das atividades do segundo semestre de 2026. O anúncio do evento correu em grupos da cidade, quando Fernando Bermuda aproveitou o espaço para ameaçar funcionários que optem por Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

“Vamos ao culto hoje na Assembleia de Deus. Todos Flávio Bolsonaro. Quem votar em Lula, após a eleição, tá na rua”, disse o prefeito em uma mensagem.

Música com IA associa cargo ao apoio político

Além das mensagens, a reportagem teve acesso a uma música produzida com inteligência artificial que circula em grupos do município.

A letra associa a permanência no cargo ao apoio ao candidato do PL. Em um dos trechos, diz: “Já vou avisar, quem não apoiar o Flávio, já pode arrumar a mala e ir pra obra”.

Na canção, o prefeito também aparece como responsável por mobilizar servidores e aliados em favor da candidatura de Flávio.

Um servidor da Secretaria Municipal de Educação, que pediu para não ser identificado por medo de represálias, disse que o comportamento é recorrente.

“Ele sempre foi assim, só fala com os funcionários na base da ameaça e da ignorância. Todos têm que fazer só as vontades dele. Se não fizer, é perseguido. A gente aguenta porque precisa do emprego, precisa sustentar a família. Mas é muito humilhante a forma como somos coagidos quase sempre”, relatou.

Crime eleitoral e abuso de poder

  • Ameaçar demitir funcionários caso determinado candidato perca as eleições é considerado crime de assédio eleitoral.
  • De acordo com o artigo 300 do Código Eleitoral, a prática pode ser punida com o pagamento de multas e detenção por até 6 meses.
  • A conduta também pode ser enquadrada como abuso do poder político pela Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997).

Mensagens pedem voto para aliados

Outros registros mostram Fernando Bermuda usando grupos de WhatsApp para defender a gestão e pedir apoio aos candidatos da sua base.

Leia mais no link abaixo:

https://www.metropoles.com/brasil/prefeito-servidores-flavio#goog_rewarded

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