O Ministério Público do Maranhão (MPMA) pediu ao Tribunal de Justiça o afastamento cautelar do vice-governador Felipe Camarão. A medida faz parte de uma investigação sigilosa que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e irregularidades na administração pública.
Segundo o órgão, foram identificadas movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada, incluindo mais de R$ 4,6 milhões em créditos extrassalariais e cerca de R$ 6,3 milhões em saídas da conta principal. Também foram registrados 230 depósitos em dinheiro sem origem identificada e R$ 360 mil em operações fracionadas.
A investigação aponta ainda a pulverização de recursos via PIX para mais de 1.085 destinatários, além do uso de terceiros como operadores financeiros, incluindo policiais militares ligados ao gabinete. Esses intermediários teriam movimentado valores, fragmentado quantias e realizado repasses ao vice-governador.
Entre os citados, Thiago Brasil Arruda teria movimentado R$ 9,6 milhões, com repasses de R$ 381 mil a Camarão e pagamento de despesas pessoais. Já Alexandre Guimarães Nascimento teria movimentado mais de R$ 10 milhões, com depósitos em espécie, transferências e gastos elevados em plataformas digitais.
O MP também aponta pagamento de despesas por terceiros e indícios de aquisição de imóveis que somam cerca de R$ 4,7 milhões, valores considerados incompatíveis com a renda declarada.
Diante dos indícios, o órgão afirma que a permanência no cargo representa risco à investigação e pediu o afastamento imediato para evitar interferências.
O caso está sob análise do Tribunal de Justiça do Maranhão.
Em nota, Felipe Camarão afirmou que o vazamento do pedido é “criminoso”, disse não ter acesso ao processo, negou irregularidades e classificou a situação como perseguição política com motivação eleitoreira.

Deixe um comentário